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Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
Aprendizagem

Dislexia: sinais na pré-escola, na alfabetização e depois

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 4 min de leitura

Kennya Martins em pé atrás da cadeira, ao lado da estante de jogos da sala infantil
Kennya Martins na sala de atendimento infantil.

A dislexia é um transtorno específico da aprendizagem que prejudica a leitura. A pessoa tem dificuldade para reconhecer palavras com rapidez e precisão, mesmo com inteligência preservada e ensino adequado. Os sinais mudam com a idade, e alguns aparecem antes mesmo de a criança aprender a ler.

O que é dislexia

A Associação Brasileira de Dislexia (ABD) adota a definição da International Dyslexia Association (IDA): um transtorno de origem neurobiológica, marcado por dificuldade no reconhecimento preciso ou fluente das palavras, na decodificação e na soletração. Em geral, a raiz está no componente fonológico da linguagem, isto é, no processamento dos sons da fala.

Segundo essa definição, as dificuldades são inesperadas quando comparadas à idade e às outras habilidades cognitivas da pessoa. Por isso o quadro costuma confundir pais e professores: a criança pode ir bem em várias áreas e, ainda assim, travar diante do texto escrito.

Sinais na pré-escola

Antes da alfabetização, a ABD aponta alguns sinais que merecem acompanhamento:

  • Atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem
  • Dificuldade para aprender rimas e canções
  • Pouco interesse por livros e materiais impressos
  • Dispersão e atenção curta
  • Coordenação motora fraca e dificuldade com quebra-cabeças

Um sinal isolado não indica dislexia. O que pesa é o conjunto, a persistência e a forma como a criança responde aos estímulos de casa e da escola.

Sinais durante a alfabetização

É nessa fase que a dificuldade costuma ficar evidente. A ABD descreve como sinais da idade escolar:

  • Dificuldade para aprender e automatizar a leitura e a escrita
  • Pouca percepção de rimas e aliterações
  • Dificuldade para copiar do quadro ou do livro
  • Confusão entre direita e esquerda
  • Desorganização, com tarefas atrasadas e perda de materiais
  • Vocabulário pobre, com frases curtas e imaturas ou longas e vagas

Na prática, a leitura demora a ganhar velocidade e exige um esforço visível. A criança gasta tanta energia decifrando as palavras que sobra pouca para entender o texto.

Sinais em idades maiores

A IDA observa que algumas pessoas com dislexia conseguem superar as primeiras etapas da leitura e da escrita e só encontram as maiores barreiras quando a linguagem fica mais complexa. Com o avanço da escolaridade, podem aparecer:

  • Leitura lenta demais para acompanhar a compreensão
  • Dificuldade para persistir em textos longos e livros didáticos
  • Erros de ortografia frequentes
  • Dificuldade com gramática e com a escrita de redações
  • Dificuldade para aprender uma língua estrangeira

A dislexia acompanha a pessoa ao longo da vida, mas o impacto muda conforme as exigências de cada fase. Às vezes, ela só é identificada na adolescência ou na idade adulta.

Mitos que atrapalham

  • "É falta de inteligência." A IDA afirma que a dislexia não decorre de falta de inteligência nem de vontade de aprender e que ocorre em pessoas de todos os níveis intelectuais.
  • "Dislexia é escrever espelhado." Algumas crianças com dislexia invertem letras e outras não. Inversões também são comuns em crianças pequenas que estão começando a escrever, então, sozinhas, não confirmam nada. A dificuldade central está em ligar sons a letras.
  • "Disléxico lê ao contrário." A IDA classifica essa ideia como mito.
  • "É preguiça." Esforço não explica o quadro. Cobrar mais empenho sem oferecer apoio tende a aumentar a frustração.
  • "Passa com o tempo." Com ajuda adequada, muitas pessoas com dislexia aprendem a ler e escrever bem, mas a condição continua presente, e a ortografia pode seguir exigindo mais esforço.

Quando procurar avaliação

A ABD não recomenda que um único profissional feche o diagnóstico de dislexia. A investigação costuma reunir avaliação neuropsicológica, fonoaudiológica e psicopedagógica, e também precisa afastar outras explicações para a dificuldade. A avaliação neuropsicológica ajuda a mostrar o que está preservado e onde a leitura trava.

Enquanto isso, a família pode:

  • Conversar com a professora sobre como a criança lê e escreve em sala
  • Verificar visão e audição, se ainda não foram avaliadas
  • Ler junto com a criança, sem transformar o momento em prova
  • Comparar o que a criança faz com o esperado para cada ano da alfabetização
  • Buscar avaliação quando a dificuldade persiste mesmo com apoio da escola

A Lei 14.254/2021 prevê acompanhamento escolar desde a identificação precoce, e o resultado da avaliação dá base para combinar esse apoio com a escola.

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

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