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Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
Aprendizagem

Disgrafia e disortografia: qual é a diferença

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 4 min de leitura

Kennya Martins diante do portal de entrada do Instituto Mundo de Dentro, ao lado do bolo de inauguração
Kennya Martins na entrada do Instituto Mundo de Dentro.

Disgrafia e disortografia afetam a escrita, mas em pontos diferentes. Na disgrafia, o problema está no traçado: a letra sai irregular, difícil de ler e cansativa de produzir. Na disortografia, a letra pode até ser caprichada, mas a criança erra a grafia das palavras de forma persistente, mesmo depois de ensinada e corrigida.

Disgrafia: quando o traçado é o problema

Um estudo publicado em 2013 no Jornal de Pediatria, feito com 630 alunos do 6º ano da rede pública, descreve a disgrafia motora como uma dificuldade de coordenação motora fina para escrever as letras. A criança fala e lê, mas a forma das letras e a qualidade da escrita ficam comprometidas. Nesse estudo, o sinal mais frequente foi a linha que sobe, desce ou flutua no papel.

Sinais que costumam aparecer:

  • Letras de tamanhos e formatos muito irregulares
  • Espaçamento confuso entre letras e palavras
  • Escrita que não acompanha a linha do caderno
  • Jeito incomum de segurar o lápis ou força excessiva na pegada
  • Cansaço, dor ou cãibra na mão depois de pouco tempo escrevendo

Às vezes, a própria criança não consegue ler o que copiou do quadro, o que atrapalha o estudo em todas as matérias.

Disortografia: quando a dificuldade é a ortografia

O Grupo de Estudo e Pesquisa em Escrita e Leitura (GREPEL), da USP, descreve a disortografia como um transtorno específico da aprendizagem com prejuízo na escrita, ligado à ortografia, à gramática e à redação. Ele pode ocorrer em pessoas com capacidade intelectual normal.

Entre os sinais descritos pelo grupo:

  • Trocas, omissões e inversões de letras que persistem
  • Confusão entre sons parecidos, como em "faca" e "vaca"
  • Palavras juntadas ou separadas no lugar errado
  • Escrita muito apoiada na fala, do jeito que se pronuncia
  • Dificuldade para guardar as regras ortográficas
  • Dificuldade para produzir textos e para usar pontuação e letras maiúsculas

Errar ortografia faz parte de aprender a escrever. O que chama atenção é a persistência dos mesmos erros quando a criança já teve tempo e ensino suficientes para superá-los.

Os dois quadros podem aparecer juntos

Uma criança pode ter disgrafia sem disortografia, o contrário, ou as duas ao mesmo tempo. Também é comum que a escrita difícil venha acompanhada de dificuldade de leitura. No estudo do Jornal de Pediatria, a dislexia foi a co-ocorrência mais frequente entre os sinais de alerta observados. Por isso, quando a escrita preocupa, vale observar também os sinais de dislexia.

Quais profissionais costumam participar

A investigação e o acompanhamento costumam envolver profissionais de áreas diferentes, cada um olhando para uma parte do problema:

  • Psicólogo ou neuropsicólogo: avalia atenção, memória, linguagem, funções executivas e o perfil cognitivo, e ajuda a diferenciar de outros quadros
  • Fonoaudiólogo: trabalha a relação entre sons e letras, que é a base da ortografia
  • Terapeuta ocupacional: cuida da coordenação motora fina, da pegada do lápis e de adaptações para a escrita
  • Psicopedagogo: olha para o processo de aprendizagem e para as estratégias de estudo
  • Professor: observa a escrita no dia a dia e aplica as adaptações combinadas

O Child Mind Institute, centro americano de saúde mental infantil, indica o terapeuta ocupacional para a parte motora da escrita e o neuropsicólogo para as dificuldades cognitivas. Já o GREPEL recomenda que a intervenção na disortografia una o trabalho do fonoaudiólogo ao dos professores.

Para entender quando cada tipo de apoio faz sentido, veja a diferença entre reforço, psicopedagogia e avaliação.

O que ajuda e quando procurar avaliação

Algumas adaptações reduzem o peso da escrita enquanto a criança desenvolve as habilidades:

  • Engrossadores de lápis para melhorar a pegada
  • Uso de teclado em anotações e trabalhos mais longos
  • Respostas gravadas ou ditadas por voz
  • Tempo extra em atividades escritas e provas

Procure avaliação quando a letra continua ilegível depois dos primeiros anos de escola, quando os erros ortográficos não diminuem com ensino e correção, ou quando a criança evita escrever, chora ou reclama de dor na hora das tarefas. A avaliação neuropsicológica ajuda a identificar o que está por trás da dificuldade e a orientar a escola.

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

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