Preparar a criança para a avaliação neuropsicológica é simples. Basta explicar com calma o que vai acontecer, garantir uma boa noite de sono e uma refeição antes, e levar óculos ou aparelho auditivo, se ela usar. Uma criança descansada e à vontade mostra nas tarefas o que realmente consegue fazer.
Como explicar o que vai acontecer
Use palavras simples e um tom tranquilo, de acordo com a idade:
- Crianças pequenas: conte que ela vai passar um tempo com outra pessoa fazendo atividades de ouvir, pensar, lembrar, desenhar e montar coisas com as mãos
- Crianças maiores e adolescentes: compare com atividades da escola, explicando que não existe nota, aprovação ou reprovação
- Para todas as idades: deixe claro que nada vai doer, que não há agulha nem aparelho barulhento
Explique também o motivo de um jeito positivo. Algo como "é para entender como você aprende e descobrir o que pode deixar a escola mais fácil" costuma funcionar bem.
Em muitos serviços, os pais esperam do lado de fora enquanto a criança faz as tarefas. Pergunte antes como será e conte isso a ela, dizendo onde você vai ficar.
O que evitar dizer
Algumas frases aumentam a ansiedade ou mudam o jeito como a criança encara as tarefas:
- "Vamos descobrir o que tem de errado com você"
- "É uma prova, então capricha para não ir mal"
- "Se você não se comportar, vai demorar mais"
- Promessas de que vai ser rápido, se a sessão for longa
- Conversas sobre as dificuldades dela na frente dela, inclusive na sala de espera
Também não vale treinar a criança ou fazer atividades parecidas com testes nos dias anteriores. A avaliação precisa mostrar o funcionamento habitual dela, sem ensaio.
Sono, alimentação e saúde no dia
O manual de neuropsicologia publicado pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) lembra que um desempenho mais baixo num teste pode ter relação com fadiga ou sono, e não só com uma dificuldade real. Por isso, os cuidados do dia contam.
- Garanta uma noite de sono completa antes de cada sessão
- Ofereça café da manhã ou uma refeição antes de sair de casa
- Leve lanche e água para os intervalos
- Se a criança estiver doente, com febre ou muito indisposta, ligue para remarcar
- Evite marcar a sessão logo depois de uma atividade cansativa
- Se ela usa medicação, pergunte ao serviço e ao médico como proceder no dia, sem suspender ou mudar nada por conta própria
Se mesmo assim ela dormiu mal ou acordou diferente, conte ao avaliador. Essa informação entra na interpretação dos resultados. Para saber quanto sono é esperado em cada fase, veja o texto sobre sono e aprendizagem.
O que levar
- Óculos, aparelho auditivo ou qualquer outro recurso que a criança use no dia a dia
- Boletins, cadernos e relatórios da escola
- Laudos e relatórios de outros profissionais, como fonoaudiólogo ou terapeuta ocupacional
- Exames já realizados, incluindo os de visão e audição
- Lista dos medicamentos em uso, com horários
- Questionários que o serviço tenha enviado, preenchidos por inteiro
Sem os óculos ou o aparelho auditivo, a criança pode ir mal em tarefas que não têm nada a ver com a dificuldade investigada, e o resultado perde valor.
No dia e depois das sessões
A avaliação pode acontecer em uma ou em várias sessões, conforme o serviço e a idade da criança. Chegue com alguns minutos de folga, para ela se acostumar ao lugar sem pressa.
Valorize o esforço, e não o desempenho. Frases como "gostei de ver você se dedicando" ajudam mais do que perguntar se ela acertou tudo. Na volta para casa, prefira perguntar do que ela gostou ou o que achou diferente.
Os resultados são explicados na devolutiva, um encontro com a família depois que todas as sessões terminam. Para chegar a esse encontro com as perguntas certas, leia sobre a devolutiva da avaliação. Se ainda houver dúvidas sobre o processo como um todo, a página de avaliação neuropsicológica traz mais detalhes.
Fontes
- UCSF Benioff Children's Hospitals: What is a neuropsychological assessment?
- UW Health: Pediatric Neuropsychological Testing
- Sutter Health: Pediatric Neuropsychological Consultation Service, orientações para a consulta
Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.




