Pular para o conteúdo
Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
Avaliação neuropsicológica

Avaliação neuropsicológica e avaliação psicológica: qual a diferença?

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 4 min de leitura

Kennya Martins diante do portal de entrada do Instituto Mundo de Dentro, com a fita e os balões da inauguração
Kennya Martins no Instituto Mundo de Dentro.

A avaliação psicológica é o processo amplo que o psicólogo usa para investigar aspectos psicológicos de uma pessoa e apoiar uma decisão. A avaliação neuropsicológica é um tipo de avaliação psicológica, voltado para a relação entre o funcionamento do cérebro e o comportamento. As duas são feitas por psicólogos, mas partem de perguntas diferentes e chegam a respostas diferentes.

O que é a avaliação psicológica

A Resolução CFP nº 31/2022, do Conselho Federal de Psicologia, define a avaliação psicológica como um processo estruturado de investigação de fenômenos psicológicos. Ela usa métodos, técnicas e instrumentos para fornecer informações que ajudam a tomar decisões sobre uma pessoa, um grupo ou uma instituição.

A conclusão do psicólogo precisa se apoiar em métodos e instrumentos psicológicos reconhecidos cientificamente. Documentos de outros profissionais, como relatórios de equipes multiprofissionais, podem complementar a análise, mas não substituem essas fontes. Os testes psicológicos usados precisam ter qualidade técnica avaliada pelo Satepsi, o sistema do CFP que analisa esses instrumentos.

A avaliação psicológica aparece em muitos contextos:

  • Seleção de pessoal em empresas e concursos públicos
  • Trânsito, como parte do processo para dirigir
  • Clínica, para entender sofrimento emocional, personalidade e relações
  • Escola, para apoiar decisões sobre aprendizagem e convivência
  • Justiça, em questões como guarda de filhos

O que a avaliação neuropsicológica investiga

O manual do CFP sobre neuropsicologia descreve essa avaliação como uma categoria de avaliação psicológica que tem a relação cérebro-comportamento como base. O objetivo é descrever o funcionamento cognitivo, emocional e comportamental atual da pessoa, identificar necessidades de tratamento e recomendar intervenções.

Na prática, ela olha para funções como:

  • Atenção, nos seus diferentes tipos
  • Memória, incluindo a memória de trabalho
  • Linguagem
  • Funções executivas, como planejamento, controle de impulsos e flexibilidade
  • Percepção e habilidades visuoespaciais
  • Velocidade de processamento
  • Aspectos emocionais e de comportamento que interferem no desempenho

O mesmo manual lembra que essa avaliação não se resume à aplicação de testes e que medir só o QI não basta para caracterizar um exame neuropsicológico. Entrevistas, observação, escalas e a história de vida entram na análise.

As diferenças na prática

  • Pergunta de partida: a avaliação psicológica pode responder a questões muito variadas, como aptidão para uma função ou traços de personalidade. A neuropsicológica costuma partir de uma queixa cognitiva ou de uma condição que afeta o cérebro.
  • Resultado: a neuropsicológica entrega um mapa de funções preservadas e de funções abaixo do esperado para a idade e a escolaridade.
  • Uso do resultado: ela apoia o diagnóstico feito em conjunto com médicos, orienta a reabilitação e indica adaptações na escola ou no trabalho.

Para saber mais sobre esse tipo de avaliação, veja a página de avaliação neuropsicológica.

Quem pode fazer

As duas são atribuições do psicólogo com registro no Conselho Regional de Psicologia. A Lei 4.119, de 1962, define como função privativa do psicólogo o uso de métodos e técnicas psicológicas para diagnóstico psicológico, e o CFP reafirma que o uso profissional de testes psicológicos é privativo da categoria.

A neuropsicologia foi reconhecida como especialidade da psicologia pelo CFP em 2004 e hoje faz parte da lista de 13 especialidades do conselho. O registro de especialista qualifica a formação, mas não é obrigatório para exercer. Por isso, vale perguntar ao profissional sobre sua formação e experiência na área.

Quando cada uma é indicada

A avaliação neuropsicológica costuma ser pedida quando há:

  • Suspeita de TDAH, dislexia ou outros transtornos de aprendizagem
  • Investigação de autismo, como parte do trabalho de uma equipe
  • Queixas de memória ou de raciocínio em adultos e idosos
  • Sequelas de AVC, traumatismo craniano, epilepsia ou outras condições neurológicas
  • Necessidade de acompanhar a evolução de um quadro ao longo do tempo

Outras formas de avaliação psicológica respondem a perguntas como aptidão para um cargo, condições emocionais para um procedimento ou questões ligadas a processos judiciais.

Na dúvida, o médico que acompanha a pessoa ou o próprio psicólogo, na primeira entrevista, ajudam a definir qual caminho faz sentido. Se a questão envolve também outros profissionais, o texto sobre neuropsicólogo, neurologista ou psiquiatra explica o papel de cada um. Ao final de qualquer avaliação, o resultado vem num documento escrito, e os tipos possíveis estão descritos em laudo, relatório ou parecer.

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

Agende um atendimento

Atendimento no Instituto Mundo de Dentro – Neuropsicologia Avançada, em Teresina (PI).

Falar pelo WhatsApp