Pular para o conteúdo
Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
Autismo

Avaliação neuropsicológica no autismo: o que ela acrescenta

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 4 min de leitura

Kennya Martins diante do portal de entrada do Instituto Mundo de Dentro, com a fita e os balões da inauguração
Kennya Martins no Instituto Mundo de Dentro.

O diagnóstico de autismo é clínico e costuma envolver mais de um profissional. A avaliação neuropsicológica não substitui esse processo. O que ela acrescenta é um retrato detalhado de como aquela pessoa pensa, se comunica, aprende e se vira no dia a dia, com pontos fortes e dificuldades. Esse retrato orienta as intervenções.

O diagnóstico vem da clínica

Nenhum exame laboratorial define o transtorno do espectro autista (TEA). Segundo o CDC, os profissionais olham para a história do desenvolvimento e para o comportamento da criança. Em seu manual de 2019, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) afirma que o diagnóstico de TEA é clínico e que um diagnóstico adequado depende de equipe multidisciplinar experiente.

Uma revisão publicada em 2021 na revista Current Psychiatry Reports reforça que nenhum instrumento isolado deve definir o diagnóstico. Testes e escalas entram como peças de um raciocínio clínico mais amplo.

O que a avaliação investiga

A mesma revisão descreve as áreas que costumam fazer parte da avaliação neuropsicológica no autismo:

  • Perfil cognitivo: o funcionamento intelectual varia muito entre pessoas autistas, e o desempenho costuma ser desigual entre as áreas
  • Linguagem: vocabulário, compreensão e uso da linguagem, inclusive em quem fala pouco
  • Funções executivas: planejamento, flexibilidade, controle de impulsos e organização
  • Atenção: dificuldades de atenção são frequentes e podem indicar TDAH associado
  • Comportamento adaptativo: autonomia em rotinas, comunicação e convivência no dia a dia
  • Aspectos motores: dificuldades motoras podem afetar tarefas cronometradas ou que dependem da escrita

Nas funções executivas, a revisão recomenda combinar questionários respondidos por pais e professores com observação direta e tarefas padronizadas, já que alguns sintomas do autismo se sobrepõem às dificuldades executivas.

A avaliação também ajuda a reconhecer condições que acompanham o autismo ou se confundem com ele. A revisão cita o TDAH como exemplo: tarefas objetivas de atenção, somadas a escalas respondidas por quem convive com a criança, ajudam a separar o que pertence a cada quadro. Essa distinção pode mudar o plano de tratamento.

Comportamento adaptativo: o que acontece fora da sala de testes

A revisão considera a medida do comportamento adaptativo parte importante da avaliação em todos os níveis de habilidade. O motivo é prático: um bom desempenho em tarefas de raciocínio não diz, sozinho, quanto apoio a pessoa precisa para se vestir, lidar com dinheiro, pedir ajuda ou circular pela escola.

Por isso a avaliação ouve pais, cuidadores e professores, que conhecem a rotina real da criança.

Pontos fortes também entram no relatório

Uma boa avaliação aponta o que a pessoa faz bem, e não só onde ela tem dificuldade. A revisão lembra que muitas pessoas autistas têm funcionamento intelectual na média ou acima dela, e que mesmo pessoas com deficiências importantes podem ser avaliadas com instrumentos adequados.

Para crianças pequenas ou que falam pouco, existem medidas de desenvolvimento e tarefas que dispensam a fala, como subtestes respondidos apontando. O formato se adapta à criança, e não o contrário.

Conhecer as habilidades preservadas permite usar essas forças como ponto de apoio nas terapias e na escola.

Do resultado ao plano de cuidado

Segundo a revisão, os perfis obtidos ajudam a direcionar o trabalho nas áreas social, executiva, de linguagem e de atenção. Na prática, o relatório pode orientar:

  • A escola, com adaptações de ensino e de avaliação
  • Os terapeutas, como fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e psicólogo, sobre o que priorizar
  • A família, com estratégias para a rotina em casa
  • O acompanhamento ao longo do tempo, já que uma nova avaliação permite medir a evolução

Como se preparar

  • Reúna relatórios da escola e dos terapeutas que acompanham a criança
  • Leve laudos e avaliações anteriores
  • Prepare-se para contar a história do desenvolvimento desde o primeiro ano de vida
  • Informe como a criança se comunica e o que costuma acalmá-la
  • Explique à criança, com palavras simples, o que vai acontecer

Para os detalhes práticos, veja como preparar a criança para a avaliação. Se a suspeita ainda está no começo, os sinais de autismo nos primeiros anos ajudam a organizar as observações.

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

Agende um atendimento

Atendimento no Instituto Mundo de Dentro – Neuropsicologia Avançada, em Teresina (PI).

Falar pelo WhatsApp