Os primeiros sinais do transtorno do espectro autista (TEA) costumam aparecer na interação e na comunicação. O bebê olha pouco nos olhos, não atende quando é chamado, sorri pouco para as pessoas ou demora a usar gestos e palavras. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que toda criança passe por triagem para autismo entre 18 e 24 meses. Esses sinais servem para buscar avaliação, nunca para concluir um diagnóstico em casa.
Sinais no primeiro ano
O manual da SBP sobre TEA, de 2019, lista sinais sugestivos já no primeiro ano de vida. Entre eles:
- Pouco contato visual e dificuldade de sustentar o olhar
- Ausência do sorriso social, aquele que responde ao sorriso do adulto
- Não se voltar para sons, ruídos e vozes
- Não responder ao próprio nome
- Mais interesse por objetos do que por pessoas
- Pouca ou nenhuma vocalização
- Imitação pobre
- Incômodo incomum com sons altos
- Perda de habilidades já adquiridas, como balbucio, contato visual ou sorriso social
O manual também cita irritabilidade no colo e pouca resposta durante a amamentação, além de alterações importantes do sono.
Sinais entre 1 e 2 anos
Com o tempo, outros comportamentos ficam mais claros. A SBP chama atenção para:
- Não apontar para mostrar ou pedir coisas por volta dos 12 meses
- Atraso do balbucio por volta dos 9 meses
- Nenhuma palavra até os 16 meses
- Brincar de forma pouco variada, enfileirando ou girando brinquedos
- Movimentos repetitivos com o corpo ou com objetos
- Pouco interesse em compartilhar objetos e brincadeiras
- Poucas iniciativas de comunicação
Qualquer perda de fala ou de habilidades sociais, em qualquer idade, deve ser levada ao pediatra sem demora.
A triagem com o M-CHAT
O instrumento descrito no manual da SBP é o M-CHAT-R/F, um questionário respondido pelos pais e validado para crianças entre 16 e 30 meses. A SBP orienta que toda criança seja triada entre 18 e 24 meses. A Academia Americana de Pediatria, citada pelo CDC, também recomenda triagem específica para autismo nas consultas de 18 e 24 meses.
Quando o resultado sugere risco, a etapa seguinte é uma entrevista de seguimento, com perguntas complementares. Se ela também der positivo, a criança deve ser encaminhada para avaliação especializada e para intervenção. Na faixa de risco mais alto, essa entrevista pode ser dispensada e a criança segue direto para avaliação. E, segundo a SBP, se pais ou pediatra tiverem dúvidas, a criança deve ser encaminhada qualquer que seja a pontuação.
Triagem não é diagnóstico. Ela identifica quem precisa ser olhado de perto.
O que diz a Lei 13.438/2017
A Lei 13.438, de abril de 2017, acrescentou um parágrafo ao Estatuto da Criança e do Adolescente. O texto torna obrigatória, para todas as crianças, a aplicação nos primeiros 18 meses de vida de um protocolo ou outro instrumento que facilite a detecção, na consulta pediátrica de acompanhamento, de risco para o desenvolvimento psíquico.
A lei não cita o autismo pelo nome. Ela trata do desenvolvimento psíquico de forma ampla, e é nesse contexto que entram instrumentos de triagem como o M-CHAT.
Diagnóstico é clínico, e começar cedo conta
Não existe exame médico, como um exame de sangue, que confirme o autismo. O diagnóstico é clínico: profissionais experientes analisam a história do desenvolvimento e observam o comportamento da criança. O manual da SBP destaca a necessidade de equipe multidisciplinar experiente. O CDC informa que, aos 2 anos, um diagnóstico feito por profissional experiente já pode ser considerado confiável.
A SBP considera a intervenção precoce o tratamento padrão-ouro e orienta iniciá-la assim que houver suspeita, sem esperar o diagnóstico fechado.
O que fazer se você notou sinais
- Anote o que observou e com que idade, com exemplos do dia a dia
- Grave vídeos curtos de situações que preocupam, para mostrar ao profissional
- Leve as observações ao pediatra e peça a triagem
- Não espere "para ver se passa" quando houver perda de habilidades
- Brinque frente a frente, converse, cante e nomeie objetos ao longo do dia
A avaliação diagnóstica pode incluir uma avaliação neuropsicológica, que ajuda a mapear o perfil da criança. Vale saber também que os sinais podem ser mais discretos em meninas e que a família tem direitos garantidos em lei.
Fontes
- Sociedade Brasileira de Pediatria: Transtorno do Espectro do Autismo, Manual de Orientação nº 5 (2019)
- Lei nº 13.438, de 26 de abril de 2017 (Planalto)
- CDC: Screening for Autism Spectrum Disorder
Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.




