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Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
Autismo

Sinais de autismo nos primeiros anos de vida

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 4 min de leitura

Kennya Martins, neuropsicóloga, diante de um painel de madeira com luminárias penduradas em cordas
Kennya Martins no Instituto Mundo de Dentro.

Os primeiros sinais do transtorno do espectro autista (TEA) costumam aparecer na interação e na comunicação. O bebê olha pouco nos olhos, não atende quando é chamado, sorri pouco para as pessoas ou demora a usar gestos e palavras. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que toda criança passe por triagem para autismo entre 18 e 24 meses. Esses sinais servem para buscar avaliação, nunca para concluir um diagnóstico em casa.

Sinais no primeiro ano

O manual da SBP sobre TEA, de 2019, lista sinais sugestivos já no primeiro ano de vida. Entre eles:

  • Pouco contato visual e dificuldade de sustentar o olhar
  • Ausência do sorriso social, aquele que responde ao sorriso do adulto
  • Não se voltar para sons, ruídos e vozes
  • Não responder ao próprio nome
  • Mais interesse por objetos do que por pessoas
  • Pouca ou nenhuma vocalização
  • Imitação pobre
  • Incômodo incomum com sons altos
  • Perda de habilidades já adquiridas, como balbucio, contato visual ou sorriso social

O manual também cita irritabilidade no colo e pouca resposta durante a amamentação, além de alterações importantes do sono.

Sinais entre 1 e 2 anos

Com o tempo, outros comportamentos ficam mais claros. A SBP chama atenção para:

  • Não apontar para mostrar ou pedir coisas por volta dos 12 meses
  • Atraso do balbucio por volta dos 9 meses
  • Nenhuma palavra até os 16 meses
  • Brincar de forma pouco variada, enfileirando ou girando brinquedos
  • Movimentos repetitivos com o corpo ou com objetos
  • Pouco interesse em compartilhar objetos e brincadeiras
  • Poucas iniciativas de comunicação

Qualquer perda de fala ou de habilidades sociais, em qualquer idade, deve ser levada ao pediatra sem demora.

A triagem com o M-CHAT

O instrumento descrito no manual da SBP é o M-CHAT-R/F, um questionário respondido pelos pais e validado para crianças entre 16 e 30 meses. A SBP orienta que toda criança seja triada entre 18 e 24 meses. A Academia Americana de Pediatria, citada pelo CDC, também recomenda triagem específica para autismo nas consultas de 18 e 24 meses.

Quando o resultado sugere risco, a etapa seguinte é uma entrevista de seguimento, com perguntas complementares. Se ela também der positivo, a criança deve ser encaminhada para avaliação especializada e para intervenção. Na faixa de risco mais alto, essa entrevista pode ser dispensada e a criança segue direto para avaliação. E, segundo a SBP, se pais ou pediatra tiverem dúvidas, a criança deve ser encaminhada qualquer que seja a pontuação.

Triagem não é diagnóstico. Ela identifica quem precisa ser olhado de perto.

O que diz a Lei 13.438/2017

A Lei 13.438, de abril de 2017, acrescentou um parágrafo ao Estatuto da Criança e do Adolescente. O texto torna obrigatória, para todas as crianças, a aplicação nos primeiros 18 meses de vida de um protocolo ou outro instrumento que facilite a detecção, na consulta pediátrica de acompanhamento, de risco para o desenvolvimento psíquico.

A lei não cita o autismo pelo nome. Ela trata do desenvolvimento psíquico de forma ampla, e é nesse contexto que entram instrumentos de triagem como o M-CHAT.

Diagnóstico é clínico, e começar cedo conta

Não existe exame médico, como um exame de sangue, que confirme o autismo. O diagnóstico é clínico: profissionais experientes analisam a história do desenvolvimento e observam o comportamento da criança. O manual da SBP destaca a necessidade de equipe multidisciplinar experiente. O CDC informa que, aos 2 anos, um diagnóstico feito por profissional experiente já pode ser considerado confiável.

A SBP considera a intervenção precoce o tratamento padrão-ouro e orienta iniciá-la assim que houver suspeita, sem esperar o diagnóstico fechado.

O que fazer se você notou sinais

  • Anote o que observou e com que idade, com exemplos do dia a dia
  • Grave vídeos curtos de situações que preocupam, para mostrar ao profissional
  • Leve as observações ao pediatra e peça a triagem
  • Não espere "para ver se passa" quando houver perda de habilidades
  • Brinque frente a frente, converse, cante e nomeie objetos ao longo do dia

A avaliação diagnóstica pode incluir uma avaliação neuropsicológica, que ajuda a mapear o perfil da criança. Vale saber também que os sinais podem ser mais discretos em meninas e que a família tem direitos garantidos em lei.

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

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Atendimento no Instituto Mundo de Dentro – Neuropsicologia Avançada, em Teresina (PI).

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