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Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
Aprendizagem

Altas habilidades ou superdotação: sinais, mitos e avaliação

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 4 min de leitura

Kennya Martins, neuropsicóloga, na sala de atendimento infantil, ao lado da estante de brinquedos
Kennya Martins na sala de atendimento infantil do Instituto Mundo de Dentro.

Altas habilidades ou superdotação descrevem pessoas com potencial elevado em uma ou mais áreas, como a intelectual, a acadêmica, a liderança, as artes ou a psicomotricidade. Esse potencial costuma vir acompanhado de criatividade e de grande envolvimento com temas de interesse. Ao contrário do que muita gente imagina, a criança superdotada não vai bem em tudo e também precisa de apoio para se desenvolver.

O que significa ter altas habilidades

A definição usada em documentos do Ministério da Educação fala em potencial elevado em qualquer uma dessas áreas, isoladas ou combinadas. Um modelo muito usado na identificação, proposto pelo psicólogo norte-americano Joseph Renzulli, considera que a superdotação aparece no encontro de três características: habilidade acima da média, criatividade e comprometimento com a tarefa.

Isso quer dizer que a criança pode se destacar muito em uma área específica, como música, matemática ou esportes, e ter desempenho comum ou até abaixo da média em outras.

Sinais que podem aparecer

Cada criança é única e pode mostrar apenas alguns destes traços:

  • Aprende rápido e precisa de poucas repetições para dominar um conteúdo
  • Compreende assuntos bem acima do esperado para a idade
  • Faz muitas perguntas e demonstra curiosidade intensa
  • Resolve problemas de forma criativa e original
  • Dedica-se a interesses específicos com grande intensidade
  • Tem senso de justiça forte e uma sensibilidade emocional que surpreende para a idade
  • Cobra muito de si mesma, às vezes com traços de perfeccionismo
  • Prefere a companhia de crianças mais velhas ou de adultos

Mitos comuns

  • "Superdotado vai bem em todas as matérias." Não é preciso ter desempenho alto em todas as áreas. Uma criança pode ser talentosa nas artes e ter dificuldade em matemática.
  • "Quem é superdotado não precisa de ajuda." Essa ideia deixa muitos estudantes fora do atendimento. Sem estímulo adequado, a criança pode perder o interesse pela escola e enfrentar dificuldades sociais, emocionais e de comportamento.
  • "Superdotação e transtorno não convivem." Uma mesma pessoa pode ter altas habilidades e uma deficiência ou um transtorno. É a chamada dupla excepcionalidade. Nesses casos, é comum que apenas a dificuldade seja diagnosticada e o potencial passe despercebido.

O papel da avaliação

Não existe um protocolo único para identificar altas habilidades. Pesquisadores da área defendem que o processo envolva uma equipe multidisciplinar e reúna diferentes fontes: avaliação de aspectos cognitivos, da criatividade e do envolvimento com tarefas, além de informações de familiares e professores e da história de vida da criança. Por isso, um único teste não costuma bastar.

A avaliação neuropsicológica contribui ao medir habilidades como raciocínio, memória, atenção e linguagem, mapeando pontos fortes e fragilidades. Ela também ajuda a reconhecer a dupla excepcionalidade e orienta a família e a escola sobre como estimular a criança. Veja ainda como funciona a devolutiva da avaliação.

O que diz a legislação brasileira

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei 9.394/1996) inclui os estudantes com altas habilidades ou superdotação no público da educação especial, ao lado dos estudantes com deficiência e com transtornos globais do desenvolvimento. Entre as garantias previstas estão:

  • Atendimento educacional especializado gratuito, preferencialmente na rede regular de ensino (art. 4º)
  • Currículos, métodos e recursos organizados para atender às necessidades do aluno (art. 59)
  • Aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar (art. 59)
  • Professores com formação adequada para esse atendimento (art. 59)
  • Um cadastro nacional de alunos com altas habilidades ou superdotação na educação básica e superior, incluído na lei em 2015 (art. 59-A)

Segundo reportagem da revista Pesquisa FAPESP, o Censo Escolar de 2022 registrou cerca de 26,8 mil alunos com altas habilidades acadêmicas em escolas públicas e particulares. Pesquisadores ouvidos pela revista avaliam que o número real pode ser muito maior.

Quando buscar avaliação

Considere uma avaliação quando a criança mostra interesses e conhecimentos muito acima da idade, quando parece desinteressada na escola apesar de aprender com facilidade ou quando há uma distância grande entre o potencial percebido e o desempenho. Peça também a visão dos professores. O objetivo não é colocar um rótulo, e sim entender como a criança aprende e do que ela precisa.

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

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Atendimento no Instituto Mundo de Dentro – Neuropsicologia Avançada, em Teresina (PI).

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