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Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
TDAH

TDAH e sono: como as noites mal dormidas afetam a atenção

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 4 min de leitura

Kennya Martins diante do portal de entrada do Instituto Mundo de Dentro, com a fita e os balões da inauguração
Kennya Martins no Instituto Mundo de Dentro.

Sono e TDAH andam juntos com frequência. Muitas crianças e adultos com o transtorno têm dificuldade para dormir, e a falta de sono, por si só, pode causar desatenção, agitação e irritação. Por isso, olhar para as noites faz parte da investigação de TDAH e do cuidado depois do diagnóstico.

Uma relação de mão dupla

Uma revisão publicada em 2012 na revista Nature and Science of Sleep relata que de 25% a 50% das crianças e adolescentes com TDAH têm problemas de sono. Entre adultos, dados do NIMH, o instituto americano dedicado à saúde mental, indicam que essas dificuldades atingem até 70% das pessoas com o transtorno.

Os autores da revisão descrevem uma relação de mão dupla: o TDAH atrapalha o sono, e o sono ruim agrava os sintomas durante o dia. As queixas mais citadas incluem:

  • Resistência na hora de ir para a cama
  • Demora para pegar no sono
  • Despertares durante a noite
  • Sonolência e cansaço ao longo do dia

Quando a falta de sono imita o TDAH

Uma criança que dorme menos do que precisa nem sempre parece sonolenta. Muitas vezes ela fica mais agitada, impaciente e dispersa, o que lembra o TDAH. A mesma revisão cita estudos em que, depois de noites com sono reduzido, professores que não sabiam quanto os alunos tinham dormido relataram mais desatenção e mais problemas cognitivos.

Distúrbios como a apneia obstrutiva do sono, que costuma vir com ronco e pausas na respiração, e a síndrome das pernas inquietas também podem produzir comportamentos parecidos com os do TDAH ou piorá-los. A revisão recomenda incluir perguntas sobre o sono na avaliação de toda criança com queixa de desatenção ou hiperatividade e continuar acompanhando o sono depois do diagnóstico.

Quando o sono piora um TDAH já diagnosticado

Em quem já tem o diagnóstico, noites curtas costumam deixar os sintomas mais evidentes no dia seguinte: mais distração, menos paciência, mais esquecimentos. Por isso, quando os sintomas parecem piorar sem motivo claro, vale olhar primeiro para o sono das últimas semanas.

Alguns medicamentos usados no tratamento podem interferir no sono. Se isso acontecer, converse com o médico que acompanha o caso. Não mude horários nem doses por conta própria.

Hábitos que ajudam a dormir melhor

As recomendações de sono da Academia Americana de Pediatria valem para todas as crianças, inclusive as que têm TDAH:

  • Horário fixo para acordar, sem grandes diferenças entre a semana e o fim de semana
  • Uma sequência de preparo para a cama sempre igual, que diminui a necessidade de lembretes e negociações
  • Celular, tablet e televisão desligados no mínimo 60 minutos antes de deitar e longe do quarto durante a noite
  • Luz mais baixa nas últimas horas antes de deitar e quarto sem calor excessivo
  • Bastante movimento e luz natural durante o dia, especialmente de manhã
  • Noites menos cheias de compromissos, com tempo para a criança desacelerar

Saber quantas horas de sono cada idade precisa também ajuda a ajustar a rotina. Os números estão em sono e aprendizagem: horas de sono por idade.

Quando levar ao médico

Vale marcar consulta com o pediatra ou o médico de confiança quando houver:

  • Ronco frequente, respiração ruidosa ou pausas na respiração durante o sono
  • Demora longa para pegar no sono na maioria das noites
  • Despertares frequentes que deixam a criança cansada no dia seguinte
  • Sonolência nas aulas ou no trabalho
  • Desatenção que piorou junto com uma mudança no sono

Um diário de sono, com horário de deitar, de dormir e de acordar, ajuda o profissional a entender o padrão.

Como o sono interfere na atenção, ele também pesa nos testes. Antes de uma avaliação neuropsicológica, procure garantir uma boa noite e avise o profissional se a noite anterior foi ruim.

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

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Atendimento no Instituto Mundo de Dentro – Neuropsicologia Avançada, em Teresina (PI).

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