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Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
TDAH

TDAH e emoções: irritabilidade, frustração e explosões

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 4 min de leitura

Kennya Martins, psicóloga infantil, ao lado da estante de jogos e brinquedos da sala de atendimento
Kennya Martins na sala de psicologia infantil.

Muitas crianças com TDAH se frustram rápido, explodem por pouco e demoram a se acalmar. Essa dificuldade de controlar as emoções não está entre os critérios diagnósticos do DSM-5, mas aparece com frequência nas pesquisas sobre o transtorno. Entender isso ajuda a família a reagir com mais calma e a ensinar habilidades que a criança ainda não domina.

O que é desregulação emocional

O termo descreve a dificuldade de ajustar a intensidade e a duração das emoções. A criança vai de zero a cem diante de uma frustração pequena, reage de forma desproporcional e leva mais tempo que outras da mesma idade para voltar ao normal.

Situações típicas:

  • Chorar ou gritar ao perder um jogo
  • Rasgar a folha depois de errar uma conta
  • Ficar furiosa quando precisa interromper algo de que gosta
  • Desistir da tarefa no primeiro obstáculo
  • Mudar de humor várias vezes no mesmo dia

O que dizem as pesquisas

Uma revisão publicada em 2014 no American Journal of Psychiatry estima que a desregulação emocional aparece em cerca de 25% a 45% das crianças e em 30% a 70% dos adultos com TDAH. Os autores lembram que, desde o DSM-III, os sintomas emocionais deixaram de ser critério diagnóstico e passaram a ser vistos como característica associada ao transtorno.

A mesma revisão aponta que, quando esse traço está presente, o prejuízo tende a ser maior, com mais dificuldades nas relações com colegas, com a família e nos estudos. O Manual MSD também cita baixa tolerância à frustração, teimosia e irritabilidade entre as queixas que podem surgir na história de crianças com TDAH.

Nem toda explosão é TDAH

Irritabilidade intensa também acompanha quadros de ansiedade e depressão, noites mal dormidas e fases de estresse na família. Crianças pequenas, além disso, ainda estão aprendendo a lidar com a frustração, e birras fazem parte do desenvolvimento. Por isso, a avaliação considera a idade, a frequência das crises e o contexto em que acontecem. Veja o que é esperado em birras para cada idade.

Durante a crise: o que ajuda e o que piora

O que ajuda:

  • Fale baixo e devagar, mesmo que a criança esteja gritando
  • Garanta a segurança de todos antes de qualquer conversa
  • Use poucas palavras e deixe o sermão de lado
  • Ofereça um lugar mais calmo, se ela aceitar
  • Espere a criança se acalmar para conversar sobre o que aconteceu

O que costuma piorar:

  • Gritar de volta ou responder com ironia
  • Ceder sempre ao que provocou a crise, o que ensina que explodir funciona
  • Castigos longos e desproporcionais ao que aconteceu
  • Rótulos como "mimada", "difícil" ou "sem educação"

Como ensinar a lidar com a frustração no dia a dia

A regulação emocional se aprende com prática, nos momentos tranquilos.

  • Dê nome ao que ela sente: "Você ficou com raiva porque perdeu"
  • Ensine estratégias concretas, como respirar devagar, contar até dez ou ir a um canto combinado
  • Antecipe situações difíceis, como o fim do tempo de tela, avisando alguns minutos antes
  • Divida tarefas longas em partes menores, para reduzir as chances de frustração
  • Elogie quando ela conseguir se controlar, dizendo exatamente o que fez bem
  • Cuide do sono e dos horários das refeições, porque cansaço e fome deixam qualquer criança mais irritável

Quando buscar ajuda

Procure orientação se as crises são diárias ou muito intensas, se envolvem agressão a si mesma ou a outras pessoas, ou se a criança parece triste e irritada na maior parte do tempo. O pediatra é um bom primeiro passo.

A revisão de 2014 relata evidências iniciais de que intervenções voltadas especificamente para a regulação das emoções trazem benefício, e essa linha de pesquisa segue em andamento. Na prática, a psicoterapia pode ensinar essas habilidades à criança, e a orientação parental dá aos pais ferramentas para reagir sempre do mesmo modo. Quando há suspeita de TDAH ainda não investigada, a avaliação neuropsicológica ajuda a entender o quadro completo.

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

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Atendimento no Instituto Mundo de Dentro – Neuropsicologia Avançada, em Teresina (PI).

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