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Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
Infância e família

Orientação parental: o que é e para quem serve

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 3 min de leitura

Kennya Martins em pé atrás da cadeira, ao lado da estante de jogos da sala infantil
Kennya Martins na sala de atendimento infantil.

Orientação parental é um atendimento voltado aos pais ou responsáveis, e não diretamente à criança. Nos encontros, o profissional ajuda a família a entender o comportamento dos filhos e a montar estratégias para situações concretas da rotina, como birras, sono, limites, telas e lição de casa. O objetivo é fortalecer a relação entre pais e filhos e dar mais segurança aos adultos nas decisões do dia a dia.

Para quem serve

A orientação parental pode ajudar famílias em momentos bem diferentes:

  • Pais de crianças pequenas com birras frequentes, dificuldade de seguir combinados ou de dormir
  • Famílias que passam por mudanças, como separação, nascimento de um irmão, mudança de cidade ou perda de alguém próximo
  • Pais de crianças com TDAH, autismo ou dificuldades de aprendizagem que querem adaptar a rotina de casa
  • Responsáveis esgotados, que perdem a paciência com frequência ou discordam sobre como educar
  • Famílias com adolescentes, quando a comunicação ficou difícil

Não é preciso esperar uma crise. Muitas vezes, a procura começa com uma dúvida simples que se repete todos os dias.

O que dizem as evidências

Em 2023, a Organização Mundial da Saúde publicou diretrizes que recomendam tornar intervenções para pais baseadas em evidências acessíveis a todos os pais e cuidadores de crianças de 0 a 17 anos. Segundo a OMS, esses programas aumentam as práticas positivas de cuidado, reduzem a educação baseada em punições severas e os maus-tratos, diminuem problemas de comportamento e de saúde mental nas crianças e também aliviam o estresse e os problemas de saúde mental dos pais.

No caso do TDAH, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) indicam o treinamento de pais em manejo de comportamento como primeira escolha de tratamento para crianças com menos de 6 anos. O motivo é que, nessa idade, a criança ainda não tem maturidade para mudar o próprio comportamento sem a ajuda dos pais. Saiba mais sobre os sinais de TDAH na infância.

Como funcionam os encontros

O formato varia conforme a necessidade da família, mas costuma seguir alguns passos:

  • Uma conversa inicial para conhecer a história da criança, a rotina da casa e o que mais preocupa
  • Definição de objetivos claros e possíveis, como reduzir as brigas na hora do banho
  • Encontros regulares em que os pais aprendem estratégias como reforço positivo, rotina estruturada e limites consistentes
  • Tarefas para praticar em casa entre um encontro e outro
  • Revisão do que funcionou e ajustes no plano

No modelo descrito pelo CDC para o TDAH, os pais costumam participar de 8 a 16 sessões e praticam com a criança o que aprendem, com acompanhamento regular do terapeuta. Os atendimentos podem ser individuais, com o casal ou em grupo.

Diferença para a terapia da criança

Na psicoterapia infantil, a criança é atendida diretamente, com recursos como o brincar, o desenho e a conversa, e os pais participam em momentos combinados. Na orientação parental, o foco são os adultos: como reagem, o que comunicam e como organizam a rotina da casa.

As duas propostas podem caminhar juntas. Em alguns casos, a orientação aos pais basta. Em outros, a criança também precisa de um espaço próprio, principalmente quando há sofrimento intenso, sintomas que persistem ou suspeita de algum transtorno que precisa ser avaliado. Conheça como funciona a psicologia infantil.

Quando procurar

Considere a orientação parental quando:

  • As mesmas brigas se repetem e as estratégias de sempre deixaram de funcionar
  • Você se percebe gritando ou ameaçando mais do que gostaria
  • A família vai enfrentar uma mudança grande e quer se preparar
  • Um diagnóstico recente trouxe dúvidas sobre como agir em casa
  • Os adultos da casa discordam sobre como educar e isso gera tensão

Buscar orientação é uma forma de cuidar da criança cuidando também de quem convive com ela todos os dias.

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

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Atendimento no Instituto Mundo de Dentro – Neuropsicologia Avançada, em Teresina (PI).

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