Pular para o conteúdo
Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
Infância e família

Separação dos pais: como conversar com as crianças

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 4 min de leitura

Kennya Martins de braços cruzados diante da parede verde, ao lado do símbolo do Instituto Mundo de Dentro
Kennya Martins no Instituto Mundo de Dentro.

A separação muda a vida de todos na casa, e a criança precisa saber o que está acontecendo. Uma conversa honesta, simples e adequada à idade ajuda mais do que o silêncio. Depois da notícia, a maneira como os adultos conduzem o conflito influencia muito a adaptação dos filhos.

Como contar

Não guarde segredo nem espere até a véspera da mudança. Planejar a conversa antes, combinando o que cada um vai dizer, evita contradições na frente dos filhos.

  • Se for possível, contem juntos, com os dois pais presentes
  • Escolham um momento calmo, com tempo para perguntas e para ficar junto depois
  • Usem frases curtas e respondam ao que ela perguntar, sem detalhes da vida do casal
  • Ajustem a explicação à idade, já que os pequenos precisam de menos informação
  • Reconheçam que a notícia é triste e que é normal ela ficar chateada

Uma forma simples de começar: "Nós decidimos morar em casas diferentes. Essa é uma decisão de adultos, e vocês não fizeram nada para causar isso. Nós dois vamos continuar cuidando de vocês". Para uma criança de 4 anos, isso pode bastar no primeiro momento. Um pré-adolescente provavelmente vai querer saber onde vai morar, como fica a escola e quando verá cada um.

A conversa continua depois

Uma única conversa raramente dá conta do assunto. Perguntas novas aparecem nos dias e meses seguintes, às vezes em horas inesperadas, como no carro ou antes de dormir. Escute sem interromper e responda com a maior honestidade possível, dentro do que é adequado para a idade. Se a criança tiver dificuldade de falar com vocês, ajude-a a encontrar outro adulto de confiança, como um avô, uma tia ou um padrinho.

O que dizer e o que evitar

Três mensagens precisam ficar claras:

  • Os dois continuam sendo pais e continuam amando os filhos
  • A separação não é culpa da criança
  • Ela vai continuar convivendo com os dois, e vocês vão explicar como será a nova rotina

Muitas crianças acreditam que provocaram as brigas dos pais. Repita que a decisão foi dos adultos, mais de uma vez e em conversas diferentes.

Evitem:

  • Falar mal do outro genitor para a criança ou perto dela
  • Discutir decisões de adultos, como dinheiro e processos, na frente dos filhos, ou levá-los a reuniões com advogados
  • Pedir, de forma direta ou sutil, que ela escolha um lado
  • Usar a criança como mensageira ou como fonte de notícias sobre a vida do outro
  • Buscar nela apoio emocional para a própria tristeza

A criança também não deve sentir que trai um dos pais por se divertir na casa do outro.

Rotina previsível traz segurança

Saber o que vai acontecer deixa a criança mais tranquila. Quanto mais a vida diária se mantiver, com a mesma escola, os mesmos horários, atividades e amigos, mais fácil fica a adaptação. Quando passam a existir duas casas, ajuda combinar regras parecidas nos dois lugares e respeitar os limites razoáveis que o outro estabelece.

Contem com antecedência como será a divisão dos dias e revejam o combinado conforme a criança cresce. Um calendário visível, com os dias em cada casa, ajuda os menores a se organizar.

Reações esperadas

Nas primeiras semanas, tristeza, raiva, confusão e culpa são comuns. Crianças pequenas podem voltar a comportamentos que já tinham deixado para trás, como pedir chupeta, e ficar mais agressivas, menos cooperativas ou mais retraídas. As maiores podem se mostrar irritadas, sobrecarregadas com a mudança ou cair no rendimento escolar. Em geral, essas reações diminuem com o tempo.

Sinais de que a criança precisa de apoio

Procure ajuda se, com o passar das semanas, você perceber:

  • Ansiedade ou tristeza que não melhoram
  • Mudanças no apetite ou no sono
  • Dificuldades persistentes na escola
  • Agressividade frequente
  • Isolamento dos amigos e das atividades de que gostava

O pediatra pode orientar o encaminhamento. A psicologia infantil oferece à criança um espaço próprio para falar do que sente, e a orientação parental ajuda os adultos a organizar a comunicação entre as duas casas.

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

Agende um atendimento

Atendimento no Instituto Mundo de Dentro – Neuropsicologia Avançada, em Teresina (PI).

Falar pelo WhatsApp