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Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
Infância e família

Chegada de um irmão: como preparar o filho mais velho

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 3 min de leitura

Kennya Martins, psicóloga infantil, ao lado da estante de jogos e brinquedos da sala de atendimento
Kennya Martins na sala de psicologia infantil.

A chegada de um bebê é uma mudança enorme para o filho mais velho. Alegria, curiosidade e ciúme costumam aparecer juntos, e é natural que ele precise de tempo para se ajustar ao novo lugar na família. Preparar a criança com antecedência e garantir momentos só com ela deixa essa adaptação mais leve.

Como contar e preparar

A conversa muda conforme a idade:

  • Até 2 anos: puxe o assunto cedo e use livros infantis sobre irmãos para apresentar palavras como "irmã", "irmão" e "bebê"
  • De 2 a 4 anos: aproveite situações do dia a dia, como montar o berço ou responder a perguntas sobre a barriga, e diga com sinceridade que o bebê vai chorar e precisar de muita atenção
  • A partir dos 5 anos: explique o que está acontecendo em linguagem que ela entenda, falando das partes boas e também das difíceis

Chame o bebê pelo nome escolhido e conte qual será o papel do mais velho na família que está crescendo. Se a mãe vai passar alguns dias no hospital, explique quem vai cuidar dele nesse período e quando vocês voltam para casa.

Mudanças de rotina: antes ou depois do parto

Desfralde, troca do berço pela cama e mudança de quarto são transições grandes. Se possível, faça essas mudanças bem antes do nascimento. Se não der tempo, espere o bebê chegar e a casa se reorganizar. Assim o mais velho não precisa enfrentar tudo ao mesmo tempo.

Regressões são esperadas

É comum que o filho mais velho volte a agir como bebê por um tempo: pedir mamadeira, falar como neném ou ter escapes de xixi depois de já ter desfraldado. Esse movimento tende a ser passageiro.

Em vez de pedir que ele "aja como gente grande", ofereça a atenção que ele está buscando. Ao mesmo tempo, elogie quando ele mostrar que já sabe fazer coisas sozinho e lembre o quanto cresceu e aprendeu. Evite broncas e comparações com o bebê nessa fase.

Tempo exclusivo com o filho mais velho

Mesmo com a rotina puxada dos primeiros meses, alguns minutos por dia só com ele fazem diferença. Pode ser uma história antes de dormir, um jogo rápido ou uma conversa no caminho da escola. Avós, tios e outras pessoas próximas também podem oferecer esses momentos. Durante as mamadas, deixe que ele fique aninhado ao seu lado.

Quando vierem visitas, peça que deem atenção também ao mais velho. Um pequeno presente para ele junto com os do bebê ajuda a criança a se sentir lembrada.

Envolver sem sobrecarregar

Participar dos preparativos ajuda a criança a se sentir parte da novidade: escolher uma roupinha, ajudar a arrumar o quarto, ir junto comprar fraldas. Depois do nascimento, ela pode buscar uma fralda, ajudar no banho ou segurar o bebê sentada, sempre pedindo antes e com um adulto ao lado. Elogie o jeito carinhoso de tocar o irmão.

A medida está no convite. Ajudar deve ser uma escolha, e não uma obrigação. O mais velho continua sendo criança, não precisa assumir tarefas de adulto e não deve ouvir a todo momento que agora "tem que dar o exemplo". Explique também que, às vezes, o bebê vai precisar ser atendido primeiro, e que isso não diminui o amor por ele.

Quando procurar orientação

Ciúme e algumas birras fazem parte da adaptação. Busque o pediatra ou um psicólogo se, passados alguns meses, a criança continuar muito agressiva com o bebê, triste ou retraída, com o sono ou o apetite alterados, ou se as regressões aumentarem em vez de diminuir. A orientação parental ajuda a família a montar estratégias para o dia a dia com dois filhos, e o atendimento em psicologia infantil dá à criança um espaço para expressar o que sente.

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

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Atendimento no Instituto Mundo de Dentro – Neuropsicologia Avançada, em Teresina (PI).

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