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Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
Infância e família

Autoestima infantil: como ajudar a criança a confiar em si

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 3 min de leitura

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo no consultório, com parede de pedra ao fundo
Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga.

Autoestima é a forma como a criança se vê e o quanto se sente aceita e capaz. Ela não vem pronta: vai sendo construída nas relações com a família, a escola e os amigos, e nas experiências de tentar, errar e conseguir. Os adultos influenciam esse processo mais pelas atitudes do dia a dia do que por discursos.

Como a autoestima se constrói

A base aparece cedo, quando a criança se sente segura, amada e aceita. Nos primeiros anos, ela se fortalece com a atenção dos adultos, com a chance de experimentar sozinha e com o orgulho que a criança percebe no rosto de quem cuida dela. Mais tarde, outras fontes ganham peso: avançar em metas, aprender coisas novas, fazer amigos, ajudar alguém e se sentir compreendida.

Crianças com autoestima saudável se sentem queridas e confiantes. Quando falham, continuam encorajadas a tentar de novo. Isso não significa se achar perfeita ou acertar sempre: significa reconhecer as próprias qualidades e dificuldades e, mesmo assim, sentir-se capaz de enfrentar desafios.

Elogiar o esforço, e não só o resultado

O tipo de elogio faz diferença. Em um estudo publicado em 1998, as pesquisadoras Claudia Mueller e Carol Dweck compararam alunos do quinto ano elogiados pela inteligência ("você é muito inteligente") com outros elogiados pelo esforço ("você se esforçou bastante"). Diante de uma tarefa difícil em que falharam, os elogiados pela inteligência persistiram menos, gostaram menos da atividade, tiveram desempenho pior e passaram a enxergar a inteligência como algo fixo.

Na prática, prefira elogios específicos, que descrevem o que a criança fez:

  • "Você treinou bastante e agora consegue amarrar o tênis sozinho"
  • "Gostei de como você tentou outro jeito quando a conta não deu certo"
  • "Você ficou nervoso, mas apresentou o trabalho mesmo assim"

Elogios genéricos repetidos a toda hora, como "você é o melhor", dizem pouco sobre o caminho que a criança percorreu.

Deixar tentar e errar

Fazer tudo pela criança para poupá-la da frustração tira dela a chance de descobrir do que é capaz. Deixe que participe de tarefas possíveis para a idade, como arrumar a mochila, escolher a roupa ou ajudar a pôr a mesa, mesmo que o resultado não fique perfeito. Ensinar habilidades novas, com paciência, dá à criança motivos reais para sentir orgulho.

Quando ela errar, ajude a pensar no que pode fazer diferente, sem críticas duras nem ironia. Os adultos também ensinam pelo exemplo: a criança que vê os pais reconhecerem os próprios erros e tentarem outra vez aprende que errar faz parte de aprender.

Evitar comparações

Frases como "por que você não é organizado como seu primo?" colocam o foco no outro, e não no caminho da própria criança. Irmãos, colegas e primos têm ritmos, interesses e dificuldades diferentes. A comparação que ajuda é com ela mesma: o que já sabe fazer hoje que ainda não sabia no começo do ano.

O mesmo cuidado vale para rótulos repetidos, como "o bagunceiro" ou "a tímida da família". Falar do comportamento daquela situação ("o quarto ficou bagunçado hoje") ajuda mais do que definir quem a criança é.

Quando a baixa autoestima merece atenção

Toda criança tem dias de insegurança. Observe com mais cuidado quando, por várias semanas, ela:

  • Critica a si mesma com frequência e duvida que consegue fazer as coisas
  • Pensa mais nos fracassos do que nas conquistas
  • Desiste com facilidade ou evita participar de atividades em grupo
  • Tem muita dificuldade de lidar com erros, derrotas e notas baixas
  • Deixa que os outros a tratem mal e não consegue se defender

Esses sinais podem estar ligados a dificuldades escolares ainda não identificadas, ansiedade, tristeza persistente ou situações de bullying. Converse com a escola e procure a psicologia infantil para entender o que está por trás. Se a insegurança aparece sobretudo nos estudos, vale saber quando investigar dificuldades de aprendizagem.

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

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