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Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
TDAH

TDAH ou falta de limites? Como diferenciar

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 4 min de leitura

Kennya Martins, neuropsicóloga, sorrindo diante de um painel de madeira com luminárias de corda
Kennya Martins no Instituto Mundo de Dentro.

A criança não para, não obedece e interrompe todo mundo. É TDAH ou falta de limites? A resposta depende de quatro perguntas: há quanto tempo isso acontece, em quantos lugares aparece, quanto atrapalha e desde quando está presente. Só uma avaliação cuidadosa separa as duas situações, que às vezes aparecem juntas na mesma criança.

Por que a confusão é tão comum

Toda criança testa regras, faz birra e se distrai quando a atividade não interessa. As menores são naturalmente mais agitadas e impulsivas. Uma criança sem rotina, que dorme tarde e passa horas na tela, também pode ficar irritada e dispersa. Vistos de fora, esses quadros lembram o TDAH. A diferença aparece quando se observa o padrão do comportamento ao longo do tempo e em diferentes lugares.

Persistência e início precoce

No TDAH, as dificuldades se mantêm por no mínimo seis meses e não dependem de uma fase passageira. Uma agitação que surgiu depois de uma mudança de escola, da chegada de um irmão ou da separação dos pais pode ter outra explicação, ao menos num primeiro momento.

O início também pesa. Os critérios diagnósticos pedem que alguns sintomas tenham aparecido antes dos 12 anos. Muitas famílias, quando perguntadas, lembram de sinais desde a pré-escola.

Mais de um ambiente

Este é um dos pontos que mais ajudam. No TDAH, os sinais surgem em dois ou mais ambientes, por exemplo em casa e na escola, ou na escola e entre amigos.

  • Se a criança só desobedece em casa e vai bem na escola, a questão pode estar nas regras ou na relação familiar
  • Se os problemas surgem só com um professor ou uma matéria, vale olhar para essa situação específica
  • Se a desatenção e a agitação se repetem em casa, na escola, no esporte e nas visitas, a hipótese de TDAH ganha força

Prejuízo real

Além de existir, o comportamento precisa atrapalhar a vida da criança. Notas abaixo do que ela conseguiria, dificuldade de fazer e manter amizades, conflitos constantes em casa e advertências repetidas na escola são exemplos de prejuízo. Uma criança animada e falante, que aprende e se relaciona bem, não preenche esse critério.

Também ajuda observar se a criança entende a regra e não consegue mantê-la, por esquecimento ou impulso, ou se recusa a regra de forma deliberada e frequente. Essa diferença orienta o profissional, mas não basta sozinha para concluir nada.

O papel da avaliação

Quem diagnostica o TDAH é o médico, a partir de uma avaliação clínica. Ele reúne a história da criança, relatos de pais e professores e, muitas vezes, escalas padronizadas, que ajudam mas não devem ser usadas isoladamente. Também considera outras condições capazes de produzir sinais parecidos, como ansiedade, depressão, transtornos de aprendizagem, autismo, transtornos de conduta e experiências adversas vividas pela criança.

A avaliação neuropsicológica complementa esse processo. Ela mede atenção, controle inibitório, memória de trabalho e outras funções e mostra se as dificuldades vão além do esperado para a idade. Os sinais que costumam motivar essa investigação estão em TDAH na infância: sinais para avaliação.

Limites claros ajudam em qualquer caso

Seja qual for o resultado, regras claras e consistentes fazem bem. Para crianças com TDAH, o Manual MSD recomenda em casa organização do ambiente, limites claros e incentivos. Nos menores de 6 anos com TDAH, o CDC indica como ponto de partida o treino dos pais em técnicas de manejo do comportamento.

Atitudes que servem para qualquer criança:

  • Poucas regras, ditas de forma simples e sempre do mesmo jeito
  • Consequências combinadas antes e aplicadas com calma
  • Elogio logo depois que a criança cumpre o combinado
  • Horários parecidos todos os dias para acordar, comer, estudar e dormir
  • Adultos da casa de acordo entre si sobre as regras

Se, mesmo com essa estrutura mantida por algumas semanas, a desatenção e a agitação continuam atrapalhando em mais de um lugar, converse com o pediatra sobre uma avaliação. Para entender o comportamento típico de cada fase, leia também birras: o que é esperado para cada idade.

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

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Atendimento no Instituto Mundo de Dentro – Neuropsicologia Avançada, em Teresina (PI).

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