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Kennya Martins Psicóloga e neuropsicóloga
Neurofeedback

Neurofeedback em adultos: quando é procurado e como funciona

Kennya Martins, psicóloga e neuropsicóloga, sorrindo, de blazer azul-marinho

Por , psicóloga e neuropsicóloga
· 3 min de leitura

Kennya Martins, neuropsicóloga, na sala de atendimento infantil, ao lado da estante de brinquedos
Kennya Martins na sala de atendimento infantil do Instituto Mundo de Dentro.

Adultos procuram o neurofeedback por motivos variados, como TDAH, dificuldade de concentração, ansiedade e sono ruim. O princípio é o mesmo usado com crianças: o retorno, em tempo real, da própria atividade cerebral. Para a maior parte dessas queixas, porém, a pesquisa ainda está em construção, e o método entra como complemento. Ele nunca ocupa o lugar do tratamento médico.

Por que adultos procuram

  • TDAH diagnosticado na infância ou só na vida adulta
  • Queixas de atenção e concentração no trabalho ou nos estudos
  • Ansiedade e estresse persistente
  • Insônia e sono de má qualidade
  • Sintomas depois de experiências traumáticas
  • Interesse em melhorar o desempenho em áreas como esporte ou trabalho, fora de um contexto de doença

Procurar o método não significa ter indicação para ele. Muitas dessas queixas têm outras causas que pedem investigação médica própria. Falta de concentração, por exemplo, também aparece em quadros de depressão, em problemas de sono e em alterações da tireoide. No caso do TDAH, o diagnóstico em adultos segue critérios específicos, descritos no artigo sobre TDAH em adultos.

Como é o processo

  • Avaliação inicial com entrevista, histórico de saúde, medicamentos em uso e questionários
  • Quando indicado, avaliação neuropsicológica ou mapeamento cerebral
  • Definição de objetivos que possam ser observados na rotina
  • Sessões regulares ao longo de semanas, com sensores no couro cabeludo e retorno em imagem ou som
  • Reavaliações periódicas para decidir se o treino continua, muda ou termina

Durante a sessão, a pessoa fica sentada diante de uma tela. O retorno pode vir como um vídeo que fica mais nítido, um som ou a pontuação de um jogo simples, conforme a atividade cerebral se aproxima do alvo combinado.

Na vida adulta, conciliar as sessões com trabalho, família e outros compromissos exige planejamento. Combinar a agenda antes de começar ajuda a manter a regularidade.

O que as pesquisas mostram até agora

No TDAH em adultos, um ensaio clínico publicado em 2017 na revista Lancet Psychiatry acompanhou 118 adultos na Alemanha. Eles foram divididos em três grupos: neurofeedback, neurofeedback simulado e terapia em grupo. Os três grupos melhoraram, sem diferença significativa entre eles. O resultado levanta dúvidas sobre o que, de fato, produziu a melhora.

No transtorno de estresse pós-traumático, uma meta-análise de 2024 publicada na Frontiers in Psychiatry encontrou resultados favoráveis, mas com ressalvas importantes. Na maior parte dos estudos, pacientes ou avaliadores sabiam quem recebia o tratamento, e as amostras eram pequenas. Na comparação com outros tratamentos ativos, o efeito foi pequeno ou não significativo. Boa parte do efeito veio de técnicas guiadas por ressonância magnética funcional, diferentes do neurofeedback feito com EEG.

Para outras queixas, como ansiedade, depressão e insônia, os estudos ainda não permitem conclusões firmes. Faltam pesquisas amplas e bem controladas para saber para quem o método funciona e em que medida. Na ciência, um resultado ganha força quando se repete em vários estudos independentes, com grupos de comparação e avaliadores que não sabem quem recebeu o tratamento.

Neurofeedback não substitui tratamento

  • Quem toma remédio deve manter o acompanhamento médico, e ajustes de medicação são decisão do médico
  • Psicoterapia e outros tratamentos indicados continuam valendo durante o treino
  • Qualquer mudança incômoda no período de treino, como piora do sono ou do humor, deve ser contada ao profissional e ao médico
  • Sintomas graves, como pensamentos de morte, crises intensas ou piora rápida, pedem atendimento de saúde imediato, e não sessões de treino

Antes de começar

  • Tenha uma avaliação médica atualizada das suas queixas
  • Combine um objetivo concreto e um prazo para reavaliar
  • Pergunte como o progresso será medido além da tela do equipamento
  • Considere custo, deslocamento e tempo total do processo antes de assumir o compromisso
  • Desconfie de promessas de cura ou de resultado garantido

Para comparar serviços, veja como escolher um serviço de neurofeedback.

Fontes

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.

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Atendimento no Instituto Mundo de Dentro – Neuropsicologia Avançada, em Teresina (PI).

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