Biofeedback é o nome geral das técnicas que mostram, em tempo real, sinais do próprio corpo para que a pessoa aprenda a influenciá-los. O neurofeedback é um tipo de biofeedback: em vez de respiração ou batimentos cardíacos, ele usa a atividade elétrica do cérebro, captada por eletroencefalograma (EEG). A lógica do treino é a mesma, e o que muda é o sinal observado.
A lógica em comum
Sensores colocados no corpo enviam informações a um computador, que as mostra em forma de gráfico, imagem ou som. Com a orientação do profissional, a pessoa testa estratégias, como soltar um músculo ou desacelerar a respiração, e vê o efeito na hora. É um processo de aprendizagem: ao perceber o resultado de cada tentativa, a pessoa descobre o que funciona para ela e passa a repetir.
Segundo a Mayo Clinic, uma sessão de biofeedback dura, em geral, de 30 a 60 minutos, e o número de sessões varia de pessoa para pessoa. A meta, com o tempo, é aplicar no dia a dia o que foi aprendido, sem depender dos sensores.
O que o biofeedback mede
- Respiração: faixas no tórax e no abdômen registram o ritmo e o padrão respiratório
- Frequência cardíaca: sensores no peito, no tronco, no punho ou no dedo acompanham os batimentos
- Tensão muscular: a eletromiografia (EMG) mostra quanto um músculo está contraído
- Suor: sensores nos dedos, na palma ou no punho medem a atividade das glândulas sudoríparas, que se altera com o nervosismo
- Temperatura: sensores nos dedos ou nos pés indicam o fluxo de sangue na pele, e uma leitura baixa pode sinalizar a hora de usar técnicas de relaxamento
O que o neurofeedback mede
No neurofeedback, os sensores ficam no couro cabeludo e registram as ondas cerebrais. O programa compara a atividade com um padrão definido como alvo e avisa quando ela se aproxima dele. Antes do treino, costuma haver uma avaliação, que pode incluir um mapeamento cerebral.
Há duas diferenças práticas em relação ao biofeedback. A primeira é o tipo de controle: a respiração e a tensão de um músculo podem ser sentidas e mudadas de forma consciente, enquanto a atividade elétrica do cérebro não é percebida diretamente, e o aprendizado vem da repetição do retorno. A segunda é técnica: o sinal cerebral é muito mais fraco que o do coração, por isso o registro exige mais cuidado com a posição dos sensores e com as interferências.
O neurofeedback foi estudado principalmente no TDAH, e os resultados ainda são discutidos entre pesquisadores. O artigo sobre neurofeedback e TDAH resume esse debate.
Exemplos de uso
O biofeedback é usado em várias condições, com graus diferentes de evidência para cada uma. Entre os usos citados pela Mayo Clinic estão:
- Estresse e ansiedade
- Dor de cabeça e dor crônica
- Disfunção da articulação temporomandibular (ATM)
- Incontinência urinária e fecal e intestino preso
- Síndrome do intestino irritável
- Pressão alta e doença de Raynaud
Na prática, o sinal escolhido acompanha a queixa. O registro da tensão muscular aparece em dores ligadas à contração dos músculos. Respiração e frequência cardíaca entram em programas voltados ao estresse. Há ainda o biofeedback do assoalho pélvico, usado em casos de incontinência. O neurofeedback entra quando o objetivo envolve padrões de atividade do cérebro, como em queixas de atenção.
Segurança e cuidados
- No biofeedback e no neurofeedback tradicional, os sensores apenas captam sinais e não enviam corrente ao corpo
- O biofeedback é considerado seguro para a maioria das pessoas, mas quem tem certos problemas de ritmo cardíaco ou doenças de pele deve conversar antes com o médico
- Aparelhos para uso em casa variam muito, e nem todo produto vendido como biofeedback é o que promete
- Nenhum dos dois métodos justifica interromper um tratamento médico
- Dê preferência a profissionais com formação na área da saúde e treino específico na técnica
- Pergunte qual sinal será treinado no seu caso e por quê
Para saber o que perguntar antes de começar, leia como escolher um serviço de neurofeedback.
Fontes
Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional.




